Morte não deve alterar trajeto da São Silvestre em 2013
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- Barros saiu às 6h50 com outros sete cadeirantes na largada especial para portadores de deficiência. Às 7h, segundo o boletim de ocorrência da polícia, ele se chocou contra o muro do estádio ao descer a rua Itajobi, continuação da rua Major Natanael.
O corpo do cadeirante Israel Cruz Jackson de Barros, 41, que morreu ontem
após chocar-se contra o muro do estádio do Pacaembu, durante disputa da São
Silvestre, deixará São Paulo na manhã desta quarta-feira a Belém, onde ele
morava.
A organização da prova informou que houve demora para a liberação do corpo
por problemas de burocracia, já que não havia nenhum parente de Barros em São
Paulo -- ele viajou sozinho e hospedou-se em um hotel próximo à avenida
Paulista. A organização informou que vai bancar as despesas de viagem e
funerárias.
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Após o primeiro atendimento pela equipe médica do evento, o cadeirante foi encaminhado para a Santa Casa de São Paulo.
Mesmo tendo chegado consciente ao local, ele não resistiu aos graves ferimentos e faleceu. Cruz, deixa dois filhos e um neto.
Em reportagem publicada no site oficial da São Silvestre, às 12h43, quase quatro horas após a morte de Israel, o diretor da prova, Júlio Deodoro, disse que ela foi "um grande sucesso".
VEJA O COMUNICADO
"O Comitê Organizador da 88ª Corrida Internacional de São Silvestre comunica o falecimento do atleta Israel Cruz Jackson de Barros, inscrito na categoria Cadeirante masculino. O fato ocorreu em razão de um acidente durante a prova realizada na manhã desta segunda-feira, em que o atleta se chocou contra o muro do Estádio do Pacaembu.
O atleta, segundo outros participantes, teria perdido o controle de sua cadeira na descida sofrendo uma queda muito forte. Prontamente atendido pela equipe médica do evento, que estava próximo ao local, Israel foi depois levado à Santa Casa de São Paulo ainda consciente, às 7h35, foi atendido pela equipe do hospital, mas, infelizmente, não resistiu em razão da gravidade dos ferimentos e faleceu às 8h50.
O atleta estava devidamente inscrito na prova, obedecendo os critérios de seleção do evento cujas inscrições foram feitas pela Fundação Cásper Libero e supervisionadas pela organização técnica do evento e pela ADD - Associação Desportiva para Deficientes.
O Comitê Organizador está acompanhando o caso juntamente com a ADD para atendimento à família do competidor, uma vez que o mesmo não residia na Capital".
ACIDENTE
Israel teve sua perna esquerda amputada em 1985. Ao ensinar sua irmã a andar de bicicleta, em uma brincadeira, Israel correu com velocidade e sua irmã puxou a garupa fazendo com que a manete da bicicleta entrasse em sua coxa do lado esquerdo, perfurando e atingindo a veia femural, segundo ele mesmo escreveu em seu blog.
Ele passou por quatro cirurgias até a amputação de sua perna.
"No início é tudo difícil, é como nascer de novo. Aos 22 anos de idade entrei para o esporte e me tornei um para-atleta", diz o texto em sua página.
O para-atleta começou jogando basquete em cadeira de rodas. Com 23 anos, passou a praticar o atletismo como cadeirante. Almejava participar da maratona dos Jogos Para-olímpicos. Em 2011, foi o vencedor da Volta da Pampulha, em Belo Horizonte.
VICE CAMPEÃO DOS CADEIRANTES DA SÃO SILVESTRE FILMOU TRAJETO FATAL
Fernando Aranha, 34, filmou boa parte da corrida de São Silvestre, realizado no último dia 31, nas ruas de São Paulo.
"Com relação ao grau de periculosidade, o percurso talvez tenha ficado um pouco mais seguro. Por isso, não acho justo mudá-lo por nossa causa, nem queremos que usem isso para extinguir nossa prova", disse Aranha, que terminou como vice-campeão da prova não sem antes mostrar que realmente temia a descida do estádio (segundo vídeo abaixo). No total participaram oito cadeirantes.
No primeiro vídeo, a câmara está instalada na cadeira de Aranha e é possível ver Barros e outros competidores, além de dar um pouco da sensação de como é estar na cadeira na descida da via que dá acesso ao estádio do Pacaembu.

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